Ainda ouço sua voz as vezes pelos cômodos da casa Seus gemidos tão grudados em minhas roupas de cama Seu cheiro não sai da minha blusa suja E mesmo depois de lavada dizem que tu ainda me ama Enquanto me puxa pra um lado Eu fujo pro lado errado Meu pai me chamando de ingrato E ela me chama pelada de quatro Eu finjo dentro do meu quarto Que sempre durmo antes das quatro Não durmo direito faz quatro semanas Comendo no chão e cuspindo no prato Nunca duvide de tudo que escrevo, desde cedo Eu canto as palavras que eu mesmo não falo Pois morro de medo, da minha realidade vira um pesadelo Meu apelo, pra eu mesmo Não confundir o teu medo com respeito Você sempre deixava a luz da sala acesa Iluminando aquelas velhas cartas Que por anos deixaram minha cabeça presa Tentando decifrar o que pensava E sem me importar com o que você sentia As coisas que entendia de quando meu olhar falava De tudo que eu pensava da tua fala fria E nada descrevia sua boca com palavras Mas como gritos de socorro em minhas letras Me esfregando tua buceta Implorando minha caceta Sexo não é só o poder dessa preta Mó treta Tua boca não sai da caneta E eu já desenhei doze vezes enquanto Enquanto escrevia frases que surgem do eco da bereta Ela diz que é de esquerda E eu não entendo nada Peço que ela fique pra ver se ela me endireita Sei que limites ela não respeita quando A gente se deita quer me peita Logo com seios que meu rosto sempre se ajeita Jogou sujo com o sujeito e o predicado é o mesmo E meu jerundio cantando essas merdas Por nunca esquecer do teu beijo Eu não boto a mão no fogo Eu não dou o braço a torcer Eu me envolvi nesse seu jogo E quem dita a regra é você Eu não quero tudo de novo De novo voltamos sempre ao mesmo ponto Quem é que ta certo quando nós brigamos? Falando dos planos em baixo dos panos Botando pra fora, jogando dentro Corpos queimando por toda vida que ainda nem provamos E em todas as fodas que nem nos tocamos, só nos olhamos Uma hora a brisa passa do quarto pra sala Cê roubou bastante pra esconder Seus desejos presos na retina