Certa vez um negro velho chegou na estância Num fim de tarde de outono sereno pediu um pouso Pro capataz no galpão Aquele negro trazia além das botas surradas Remendos dentro da alma E o capataz e, o capataz disse não Se foi pra encontrar a noite agradeceu e mais nada Quem anda cruzando estrada desconhece parador Quem nega a mão a um vivente pode um dia lá na frente Se perder no corredor E aconteceu no outra dia uma reculuta no posto Três léguas longe das estância só o capataz e um cachorro Uma gateada de freio, bruta, recém enfrenada Se assombrou fez a pegada de arrasto pediu socorro Um vulto negro saltou como mandado por Deus De braço aberto gritando era o cristo ordenando E a gateada obedeceu Só então o capataz Se deu conta de quem era o negro dormiu Na tapera e mesmo assim agradeceu