A noite cai na avenida Atlântica O Sol se põe então a Lua brilha Trazendo sonhos e esperança A noite cai na avenida Atlântica Das sombras surgem aqueles que se escondem Talvez por medo, ou ilusão Uma multidão de noias se forma Atrás de suas pedras, paralisados e alucinados estão Na esquina travestis oferecem os seus corpos Drogas e bebidas, garotas de programa também tem Por cima das calçadas mendigos se amontoam Procurando abrigo, e uma dose boa pra esquentar Ratos e baratas saem dos esgotos E o vento leva o lixo, que se espalha lentamente pelas ruas A noite chega e escurece a avenida Sombras e luzes se misturam na escuridão A noite chega e escurece a avenida Alguns dão risada, outros choram na escuridão No centro da cidade, no beco dos aflitos Há sempre alguém lamentando Acreditando estar no fundo do poço Do alto do arranha-céu a vista é panorâmica Tão linda para alguns, mas outros olhos enxergam apenas fumaça Tristes e solitários se agarram a qualquer coisa Que preencha todo vazio, e lhes dê um pouco de emoção Polícia e bandido, pobres e ricos, ateus e crentes Brancos, pretos, mestiços, loiras, morenas É a mistura brasileira A noite chega e escurece a avenida Sombras e luzes se misturam na escuridão A noite chega e escurece a avenida Alguns dão risada, outros choram na escuridão A noite cai na avenida atlântica O Sol se põe então a Lua brilha Trazendo sonhos e esperança A noite cai na avenida atlântica Das sombras surgem aqueles que se escondem Talvez por medo, ou ilusão