Rodrigo Goes

Paúra (part. Karen Santana)

Rodrigo Goes


O medo de nunca ter nada me deixa sem nada
Faltou pros pais que gera o medo nos menino
A fome da minha mãe em 68 gera o temor dos meus filhos
Brasil, chão próspero, rico e são
Plantaram escassez e medo, projeto domando pagão

Nada faltava aqui, nem mesmo falta
Se eu plantasse nas calçadas não tinha medo das larvas
Sonharia com os milhões eu tô na terra é meu direito
Agora que aprendi a imaginar já co-criei o plano perfeito

O medo de arriscar não é culpa sua
Insegurança é armadilha do plano matriz da rua
Bota nós pra competir, o mesmo dom de vários seres
Cada um tem seus deveres e talentos e sabores e poderes

Tô reprogramando até minhas lástimas
Tô proferindo só o que quero nas páginas
O medo de nunca voar me deixou sem asas
Calei a boca pra ouvir andei as casas

O medo de nunca ter nada me deixa sem nada

Antigos intelectos, infectos, fórmula infalível!
Minam o seu senso às sete horas
Um cardápio de infos disponíveis
Entram pelos olhos, viajam córneas
E acham o ponto onde o medo ancora
Subconsciente ardiloso, lábio murmuroso
Alto sabotador incrédulo em tom jocoso
Um passo pra frente dois pra trás
Daqui a pouco eu caio da maquete em um barranco tortuoso
Eu subtraio os anéis se eu emanar paúra
Já bati a testa com as 10 só encontrei a sutura
Usando todos continue a fase não evolui
Eu sou meu próprio estelionatário, porra que cansaço a rapadura é dura
O todo entende tudo/ impresso expresso do curso
De sentir a imaginação, com cheiro paisagem sensação
Climática e tudo, o todo entende tudo, o todo entende tudo
É a generosidade da devolução da sua contribuição Cachorro!

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