O homem sozinho não pode morrer Não, não pode! Ele não tem o direito de se dar tal luxo Se ele morrer, morrerão os passarinhos Se ele morrer, quem cessará o despertador? Quem, ao cair a madrugada, desligará a TV? Quem fará o café? Quem escovará os seus dentes Quem tirará o pó dos móveis Quem lavará a louça e recolherá o lixo? Quem apagará as luzes e fechará as portas? Quem fará o seu trabalho do dia seguinte Quem fará tudo exatamente como ele Fazia, se ninguém é substituível? Quem escreverá o seu poema de cada dia? Quem fará o quê com os seus livros? O homem, sozinho, não pode morrer Ele tem que esperar até que alguém apareça E se por acaso alguém chegasse ele não poderia morrer Obrigando que um visitante desavisado assistisse à sua morte O homem sozinho, desaire, não pode deixar Que sua companhia o veja morrer Ademais, quem faria sala para a sua visita? O morto faria? E serviria a água, o café, o almoço, o vinho? O morto discutiria sobre as amenidades da vida? O homem sozinho não pode esperar por alguém Que certamente não chegará O homem, sozinho, não pode esperar O homem, sozinho não pode nascer O homem, sozinho não pode amar O homem, sozinho não pode viver O homem sozinho não pode morrer O homem, sozinho não pode nada O homem sozinho não é nada O homem, sozinho não é homem O homem, sozinho, não Sozinho O o H h 0 M m E e M m Não