Esta é uma história Que acontece todos os dias Nas favela, morros e periferias Trabalhador que morre Com uma bala perdida É mais um pai de família Que perdeu sua vida Menina nova por dinheiro Se prostituindo Quer vida fácil, é, vai se iludindo Enquanto isso o playboy Vive na boa, viaja pro exterior Gasta dinheiro à toa O povo sorrindo Achando tudo lindo Escravidão de Sol a Sol Domingo a Domingo Salário mínimo, sem reclamação Não quer criar problema Nem irritar o patrão Mundo cão, um dia terá de mudar Jesus irá voltar pra revolucionar Que é pra mandar todos os Problemas que um dia eu vi É, pra uma cidade muito longe daqui Numa cidade muito longe Muito longe daqui Que tem favelas que parecem As favelas daqui E tem problemas que parecem Os problemas daqui (É, os problemas daqui) Existem homens maus Sem alma e sem coração Existem homens da lei Com determinação Mais o momento é de caos Porque a população Na brincadeira sinistra De polícia e ladrão Não sabe ao certo quem é Quem é herói ou vilão Não sabe ao certo quem vai Quem vem na contramão (A vida é o certo no lugar errado) Não sabe ao certo quem é Se é herói ou vilão Não sabe ao certo quem vai Quem vem na contramão Porque tem homem mal Que vira homem bom Porque tem homem mal Que vira homem bom Quando ele banca o remédio Quando ele compra o feijão Quando ele tira pra dar Quando ele dá proteção Porque tem homem da lei Que vira homem mal Porque tem homem da lei Que vira homem mal Quando ele vem pra atirar Quando ele caga no pau Quando ele tem que salvar E sai matando geral Tanto lá como cá Ladrão que rouba ladrão Não tem acerto, é pedir terror Não tem perdão Quem fala muito é X-9 Mais o X do problema Tá na corrupção Vai vendo Um dia, o bicho pegou O coro comeu E aí meu compadre Foi à vera Daquele jeito, vagabundo Bateu de frente Um bandido e um sub-tenente lá do batalhão Foi tiro de lá e de cá Balas perdidas no ar Até que o silêncio gritou Dois corpos no chão, que azar Feridos na mesma ambulância E na dor de matar Mesmo mantendo a distância Não deu pra calar Polícia e bandido trocaram farpas Farpas que mais pareciam balas E o bandido falou assim Você levou tanto dinheiro meu Agora tá querendo me prender E eu te avisei você não se escondeu Deu no que deu e a gente tá aqui Pedindo a Deus pro corpo resistir Será que ele tá afim de ouvir? Você tem tanta basuca Pistola, fusível, granada Me diz pra que tu Tem tanta munição? É que além de você Nóis ainda enfrenta Um outro comando, outra facção Que só tem alemão sanguinário Um bando de otário Marrento, querendo mandar Por isso eu tô bolado assim Eu também tô bolado sim É que o judiciário tá todo comprado E o legislativo tá financiado E o pobre coitado que joga seu voto no lixo Não sei se por raiva Ou só por capricho Coloca a culpa de tudo Nos homem do camburão Eles colocam a culpa de tudo Na população E se eu morrer põe outro em meu lugar E se eu morrer vão me condecorar E se eu morrer será que vão lembrar? E se eu morrer será que vão chorar? E se eu morrer, e se eu morrer, e se eu morrer Chego de ser subjugado, subtraído Subnutrido, um sub-bandido de um Submundo, um subtenente de um Sub-lugar, um sub-país, um sub-infeliz E o meu povo tá morrendo Muleque novo se envolvendo Menina nova engravidando E o bicho tá pegando Mais essa história Eu volto a repetir Aconteceu numa cidade Muito longe daqui Numa cidade muito longe Muito longe daqui Que tem favelas que parecem As favelas daqui E tem problemas que parecem Os problemas daqui Daqui Daqui