Tropeiro amigo do pago, Que chegaste, certo dia, Na minha delegacia Pra “entregá” teu “revorvinho”, Querendo “andá” direitinho, Cumprindo a legislação, Que te impõe a obrigação De “andá” sem arma e sozinho. Eu sei que este teu “revorve”, Meu caro amigo tropeiro, Já enfrentou desordeiro E levou-o ao desatino. Por força de seu destino Pôs ladrão em alvoroço E sempre roncou bem grosso Para espantar os “ladino”. Escuta, tropeiro amigo, Tu sabes, eu também sei: Delegado não faz lei Mas é dela cumpridor. Não é prevaricador E segue a orientação, Sangrando seu coração De tanta tristeza e dor. Eu gostaria somente De desarmar o bandido Que hoje em dia é protegido Por nossas leis criminais. São monstros e anormais Que semeiam dor e morte E que carregam sem porte Verdadeiros arsenais. Tirar o teu revorvinho Nunca foi o meu intento - Sou dos quase cem por cento Que renegam esse tributo. Se precisar visto luto, Mostrando indignação, Mas é minha obrigação Cumprir o tal “estatuto”. O delegado é amigo, Diuturnamente trabalha, Alguma vez até falha, Porque errar é humano. Mas eu contigo me irmano - O que não é fato novo: A lei que desarma o povo É um lamentável engano. Por isso peço, tropeiro, Reclama pro deputado Porque o “pobre” delegado Não é culpado de nada. Eis que a lei foi aprovada No poder legislativo E pelo executivo Tinha sido encaminhada. Eu sei que tu me compreendes - Velho tropeiro e amigo - Tu podes contar comigo E não te dá por vencido: Como armar-se é proibido, Só falta um dia, o estado, “Desarmá” o delegado E “dá” porte pro bandido.