Insalubre aquela morada. Difícil crer na possibilidade De alguém residir naquilo. Deveria ter uns Cento e cinquenta anos Aquele muquifo, Mas penso que não tivesse Nem uns trinta. Consistia numa habitação Em péssimo estado de depreciação avançada, O cheiro de comida estragada, Misturado com leite azedo, Sendo aliado às fezes animais Do quintal (jamais recolhidas) E aos ovos podres na geladeira Cuidadosamente imunda, Davam um toque avomitado Muito peculiar. Sem falarmos do barracão Anexado à construção, Pavimentado com graxa negra, Lubrificantes de motor E toda a ordem de substâncias Venenosas e funestas, Que se podem encontrar Em um meio ambiente. Ao lado deste anexo Jorrava uma nascente morta E contaminada pelos detritos Colecionados ali, Pirâmides de tambores Tóxicos se enfileiravam, Escorados nos tapumes De chapa enferrujada e tetânica. O cortiço de imigrantes ilegais E prostitutas que ficava a duas quadras dali, Poderia ser considerado Um hotel cinco estrelas Com suítes presidenciais, Se comparado àquele chiqueiro. Três cães sarnentos, famintos E enfiridados vigiavam os arredores internos Dos muros, que circundavam a morada, Os ratos tinham o tamanho de capivaras e podiam ser avistados com a freqüência que avistamos borboletas na primavera. Mas borboletas não viviam naquela latrina. Devido à radiação, elas só evoluíam Até o estágio de larvas, Servindo de alimento Para os caramujos nocivos.