Sua cama o pavimento, Seu cobertor a lua minguante, As paredes de cimento Com grafite cintilante, O tapete do seu quarto É o córrego borbulhante. O pontilhão é o limite Cortando as artérias. Rompendo o fatigante, Nos becos crescem bromélias. Um fato relevante, Um relato fascinante ! Na metrópole profana, Um mendigo indigente, Se torna a lenda urbana, De um guerreiro valente. Em sua carruagem Revestida de papelão, Recomeça a viagem Costurando o ribeirão. As vielas são inseguras, Mas já foram o seu lar, Identifica as figuras Rascunhadas num pilar. Seguindo o segmento Sua pupila se dilata, Quando vê e fica atento A um latão em movimento, Descendo violento Na enxurrada que arrebata. Se aproxima desconfiado, Em um instante repentino, Ao latão agarrado Ele nota um menino. Se atira no rio sem pensar, Então pensa em não se afogar E nadar, nadar e salvar. Descendo a corredeira Depois da trovoada, Atitude guerreira, Um arco-íris na alvorada. Na metrópole profana, Um mendigo indigente, Se torna a lenda urbana, De um guerreiro valente. A Lenda do Guerreiro Urbano. Não pretendia ser famoso, Não almejava ter dinheiro, E um desafio fabuloso O transformou em um guerreiro. Ele nadou, venceu e salvou E o menino viveu e voltou, Para contar a lenda... A Lenda do Guerreiro Urbano.