Vive nas varandas mornas dessa casa grande Uma saudade a me encontrar silente Um verso triste a falar por si Que vivem das lembranças tantas que guardo comigo E tantas vezes me servem de abrigo Quando me perco a esperar por ti Se canto todos meus avessos nessas linhas tortas É por que a vida me fechou as portas E da janela não se vê o Sol Se teimo em me fazer posteiro desses desalentos É na ilusão de dissipar tormentos E então rever as brasas do arrebol A vida perde o tino, meus olhos pedem os teus Se os rumos apartam destinos, não quero viver esse adeus Não quero viver esse adeus Faz tempo que te busco em vão em cada verso meu E o coração é um versejo ateu Pedindo rimas a olhar pro céu Se choro a voz de um bandoneon por estas noite longas É que me vejo só por entre as sombras E a saudade me dispõe seu véu Carece no teu jeito lindo de manhã serena A minha vida que restou pequena E este rancho que ficou vazio No mate uma vontade louca de sentir teu gosto Pra que o sorriso rebrote no rosto De quem se vê com o coração no estio A vida perde o tino, meus olhos pedem os teus Se os rumos apartam destinos, não quero viver esse adeus Não quero viver esse adeus, não quero viver esse adeus