A minha vida na roça Vou falar que jeito é O meu ranchinho de barro Cobertura de sapé Um banhado e um roçado Uns pezinhos de café Umas vaquinhas leiteiras Uma besta marchadeira E um cavalo pangaré Na lagoa mais pra frente Eu pesco mandi-guaçú O cuidado é redobrado É morada de urutu E no corguinho que passa Sob as moitas de bambu Fico parado na margem Apreciando a passagem A fileira de guarus O monjolinho pequeno No desmaio da biquinha Do pilão sai a quirera Bem miúda e quebradinha É um cenário bonito Quando chega a tardezinha Naquele grotão fechado Fica o chão todo forrado De sangria e coleirinha Nem barulho de avião A gente escuta dali Naquelas quiçaças loucas Quantas vezes me perdi Presente da natureza Só eu é que moro ali Naquele canto escondido O barulho mais ardido É o canto do bem-te-vi O silêncio da tardinha Faz a gente até chorar Parece que Deus do céu Fala manso em Seu olhar Calmamente vai dizendo Como é lindo este lugar Se o universo é minha igreja Na capela sertaneja O sertão é meu altar