Às vezes ainda eu fico pensando, e vou divagando em minhas lembranças
Me lembro o quintal que tanto gostava, lugar que brincava enquanto criança
Recordo o riacho de água corrente, aonde com a gente papai se banhava
A minha irmãzinha fazia a festança, cabelo de trança na água molhava

Até me parece que sinto o cheiro, do chão do terreiro com chuva molhado
Fumaça do forno de barro saindo, e o aroma vindo é de biscoito assado
A espuma do leite na hora tirado, caneco esmaltado, e as vacas berrando
Foi tanta a saudade que tive agora, que não vejo a hora de estar voltando

Rever o local que era a nossa roça, onde uma palhoça por nós foi erguida
Pra guardar arroz, o milho e feijão, para a produção que fosse excedida
Estoque pro ano, na tulha guardada, já posicionada bem perto à cozinha
Apesar da vida pra ela ser dura, mas muita fartura mamãe sempre tinha

O carro de boi gemendo na estrada, os pés da boiada fazendo o trieiro
O paiol de milho tão abarrotado, e ali do lado o grande chiqueiro
Ajudei meu pai, a rachar aroeira, lascas de madeira fincamos no chão
De estar preservado, tal qual a lembrança, eu tenho esperança no meu coração

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