Fui hoje ao Alentejo e vi paisagens De fome, de secura, de desalento Nenhuma alma dali sonha as viagens Que ao brilho de um Sol d’oiro faz o vento De fome, de secura, de desalento Meu Deus que gente é esta, que degredo Vive este povo ao Sul, que nada clama Há rugas de azinheiras nos seus dedos Mas não há nossas senhoras sobre a rama Deste meu povo ao Sul, que nada clama Olhem que céu azul com nuvens de poejo Que veio morar aqui no Alentejo Enxada a querer tirar do coração A terra onde me sofro e me revejo Malteses meus irmãos, baixem-me o Sol de agosto Venham cantar-me modas ao Sol-posto A este povo honesto é que eu pertenço A este mar de orgulho de amor imenso Fui hoje ao Alentejo e vim chorando Eu que sou feita em pedra da mais dura Meu povo, minha esperança em fogo brando Quando é que fazes tua, a tua altura Quando é que fazes tua a tua altura Fui hoje ao Alentejo e percebi Porque é que de Além-Tejo há só o nome Porque é que há tantos deuses por aí Enquanto tanta gente aqui tem fome Porque é que de Além-Tejo és só o nome