Ontem vivi contigo, nada desdita Que eu nem te digo, tanto castigo Me torturando, pra te contar! Foi um momento lindo Desses que a gente curte E nem fica aflito, e se arrepia todo Sem sufocar! Loucura te ver chegando Em um estrondo, de marimbondo Formando um bando, pra me pegar! Só sei que o tempo inteiro Surgiram luzes, fomos felizes Vimos matizes, pra deslumbrar! E quanto mais você agia Mais você gritava, e me atolava Me excitava, pra me transar! E vi que foi tão valente Intermitente, sem piedade Na imoralidade, me maltratar! E dentro de uma clausura Você murmura, e se ouriça toda E sem preguiça, pra me esfolar! Zombando como loucos Todos molhados, choramingando Queríamos só procrastinar! Foi um encontro daqueles, que a gente inventa E dificilmente, refaz ou tenta De tanta magia que ficou no ar! Encontro entre amigos Que sem arquivos, tampouco artigos Queridos pródigos, pra se aninhar! No brilho de ti despida Fulgor de ébano, toda incontida Querida amiga, se extasiar! Me fez dormir sonhando, me descarando Acordando bambo, como mulambo Te desejar! Em plumas daquela cama Sem dó nem drama, me abocanhou Me fez sumir, até gozar! E fez-se de inocente, toda carente Nada demente, no seu castigo Me arrasar! Cedo, já acirrada, toda ensopada Me despertou, toda safada Acabrunhada, me pediu mais! E ontem eu vivi contigo, deleite e castigo Nada desdita, noite erudita Com a senhorita, que só quer mais!