Já tem nos olhos tantos sonhos Suspensos na retina É de outras gentes de outro povo O rapaz da concertina Faz da cidade em alvoroço Um palco sem cortinas Tocando modas segue o moço Ao compasso das buzinas Desce junto ao cais E estende a mão cingindo Aliviando o peso aos ombros Com um gesto comedido Cresce que a cidade é grande Rasga o céu numa investida Que ele há-de entregar assim os olhos Todo o sonho de uma vida Tem no andar um fogo posto Um jeito de andarilho À liberdade prova o gosto À tradição segue o trilho É da cidade uma torrente Veloz e genuína É dos ciganos descendente O rapaz da concertina Cresce que a cidade é grande Rasga o céu numa investida Que ele há-de entregar assim os olhos Todo o sonho de uma vida