Já desce a noite e Alice Solta o cabelo à lua Vai entregar-se e na alma Guardar o que tem de sua Roupa garrida ao vento É dos olhares que surjam Leito de todas as mágoas Que a foz dos seus braços turvam Desce a noite e vai Sob um sol que ardeu, Que à noite é um rasgo de céu, Para entregar Tudo o que a vida roubar Rosto curvado ao tempo Por turbilhões, torrentes Que ao desafio dos homens Responde cerrando os dentes E na cidade acesa É predadora e presa Já que os pequenos reclamam A falta de pão na mesa Desce a noite e vai Sob um sol que ardeu, Que à noite é um rasgo de céu, Para entregar Tudo o que a vida roubar