Eu sou preto da pele preta do dente azul Pássaro Preto das penas pretas No céu azul E quando eu fico fouveiro viro um letreiro Sou um caderno, em mim escrevo Meu recomeço A água apaga o tezto ruim A cor da água é cor nenhuma Eu sou preto do peito cheio de amor Muito embora nele outrora houvesse dor Eu te ofereço o meu apreço Meu endereço Aceite e não tenhas medo é gentileza Você espera de mim rancor Mas eu só vou te dar amor Do nordeste vem o coco e a cocada O umbu e a umbuzada A fome e a buchada Boiadeiro e a boiada A seca e a retirada Mas quando a prece é gritada Romaria e procissão Para a Glória do senhor Que por meio de José Carpinteiro e provedor Segue pelo chão rachado No lombo de um povo delgado Nove Estados um reizado Cujo trono é o tronco encurvado Muitas vezes utilizado para sustentar o andor E a dor de ser esquecido Só não e maior do que a de ter sido Por um falso altruismo ilududo sem pudor E carrego junto comigo um constante parecer De quem fere um já ferido conhecerá um tal castigo que jamais irá esquecer De que o amor, e somente o amor tem poder constrangedor Capaz de transformar um ser Você espera de mim rancor, mas eu sou vou te dar amor, amor, amor!