Bernardo Lobo

No Cordão Da Saideira

Bernardo Lobo


Hoje não tem dança
Não tem mais menina de trança
Nem cheiro de lança no ar 
Hoje não tem frevo 
Tem gente que passa com medo 
E na praça ninguém pra cantar 
Me lembro tanto 
E é tão grande a saudade
Que até parece verdade
Que o tempo inda pode voltar 

Tempo da praia de ponta de pedra
Das noites de lua 
Do susto é carreira na caramboleira
Do bomba-meu-boi
Que tempo que foi 
Agulha frita, munguzá, cravo e canela 
Serenata eu fiz pra ela 
Cada noite de luar 

Tempo do corso,da Rua da Aurora
É moço no passo
Menino e senhora do bonde de Olinda 
Pra baixo e pra cima 
Do caramanchão
Esqueço mais não 
E frevo ainda apesar da quarta-feira
No cordão da saideira 
Vendo a vida se enfeitar