Bem vindos ao inferno, a situação tá feia Casa de detenção, as celas tudo cheia Aqui é só mais um louco, locutor do inferno Mais um número pros representantes de terno Aqui ninguém vai pro céu, única certeza Tanta solidão, os manos exalam a tristeza Não existe outro lugar, eis o expresso chegando Mais um bando de monstro que podiam estar trampando Aqui não tem rico, porque o crime de todos aqui é ser pobre Não ter dinheiro pro advogado ou suborno pros nobres Fica ligeiro novato, senão sua sentença tá marcada Um bando de lunático pra destruir seu conto de fada O sistema carcerário não regenera ninguém, fato consumado Você acha que saindo daqui os manos vão atrás do passado? Porra nenhuma, o ódio foi alimentado exageradamente Como eu queria tirar essas cenas de horror da mente Até me emociono de noite lembrando da minha família O que será que eles estão fazendo, como está minha filha Ridicularizados pela imprensa, olha o tanto de animais Fazendo gesto com a mão, a superlotação aqui tá demais Não chore mãe, um dia eu vou sair daqui Vou te dar orgulho, quero ver você sorrir Parece um sonho, dia de visita que me faz sofrer Confesso que tenho dó daqueles que a família não vem ver Quanto valor tem a vida dessas almas que já viram de tudo Ninguém aqui é santo, na nossa morte ninguém vai ficar de luto O sistema jogou a isca, o moleque iludido caiu na armadilha Mais um pra cela, dezoito anos, mais um réu pra ilha Mais uma juventude jogada no lixo, um herdeiro do crime Mais um craque que perdeu pro crack, seja bem vindo ao time Estratégia psicológica pra não enlouquecer no calabouço Tem muito louco que só quer tretar com suas facas no bolso Pros meus manos que estão na guerra urbana diária Não morra, não mate, apenas proteja sua área No seu primeiro vacilo, adivinha só, você já era Mantenha o controle porque a morte tá só na espera Um parceiro de cela meu disse que ia mudar de vida Atitude admirável, pena que foi esfaqueado na escondida Aqui jaz, mais um mano que vai pra mesa do legista Mas deixa estar, esse pilantra vai pagar, vingança à vista Matou na trairagem, sem mais nem menos, caiu no meu conceito Uns trutas planejaram, vão estocar umas 20 facas no seu peito Lei da selva, quem mata morre, todos sabem disso Aqui se faz, aqui se paga, vilões tudo sem compromisso Pra onde eu vou, o que fazer depois que sair daqui O preconceito fala alto, um trabalho não vou conseguir A cada olhar torto da sociedade, uma cicatriz no meu coração Lágrimas tatuadas escorrem no meu rosto em direção ao chão Lágrimas que ecoam como uma chuva dentro da minha mente Não curto barulho de chuva, mas ela vai vir inevitavelmente Um homem vive de sonhos, porém eu só tenho pesadelos Medo de apodrecer nesse inferno e meus amigos nunca vê-los Escuto lamentos e mais lamentos aqui, muita desculpa Raiva de deus, somos formigas que ele queima com uma lupa Pra esses malucos que reclamam de deus sem pensar Reflita irmão, enquanto estamos trancados, deus protege nosso lar Deixa de se comparar a cristo, dizendo que nem ele a todos agradou Você quer mesmo ficar se comparando ao nosso senhor Só os fortes sobrevivem, então seja forte também Acaba mais um dia, que deus nos proteja amanhã, amém