Se você arranhar os meus sonhos Ou trouxer para mim pesadelos Lhe prometo desembaraçar Um a um os seus muitos novelos Esses mesmos com que tricotaste Toda a malha do nosso enredo A comédia de falsos costumes De revista, um teatro arremedo E vais ver como desempenhaste Sem talento e requintes cruéis Essa farsa que foi nossas vidas Reprisando os mesmos papéis Já te vejo meio estremunhada Recriando um velho personagem Me acusando de ser um vilão Paciência, é mais uma bobagem Artifício de quem, no elenco Necessita de um protagonista Para estar nos letreiros do drama Me recuso a ser esse artista Já nos vejo bisando fracassos Me desculpe, eu já fiz essa peça Pense bem, nem abra o teatro Que o desfecho já não me interessa