Vânia Barros

Sonho Zumbi

Vânia Barros


Bate o tambor, cala a mata 
Espera a cascata vem chegando Xangô 
Salta dos olhos um negro guerreiro 
Dispensa o cheiro, essência de flor 
Outro em transe pragueia e ostenta a espada 
Desfia o senhor 
Festa, milagre, maldade, mentira ou verdade 
Quem não ajoelhou 
Naquele instante nem pio, nem bicho 
E o rio esperou por pudor 
Ninguém atrave um palpite, não há mais limite 
Vem aí o Senhor 
Clarão na gruta e agora se escuta o tropel do além 
Cala toda a natureza, se rende a beleza, os céus dizem amém 
Surge um caminho no espaço 
E traz cabisbaixo nosso redentor 
Vem, protegei minha gente, nos encare de frente, 
Salve o vingador 
E se levanta o demente, se curva o descrente e saúda a visão 
Bate o tambor, chia o açoite, se vai com a noite toada aparição 
Deixa no ar a pergunta se a trama conjunta foi sonho Zumbi 
Deixa também a espada cravada na moita 
Isso eu não esqueci..