Eu sinto o sol nascer E sem perceber a noite já está na porta Dizendo o que fazer Mas o que fazer se nem consigo começar? Na janela o vento sopra palavras Me acordando pelas madrugadas Abro a geladeira e não encontro nada Que alimente a fome da minha alma Eu não me entendo Tu entende o que quero dizer? Eu te entendo, compreendo se não me entender Em vários versos de canções me fiz no escrever Mas no íntimo dos meus refrões Eu não lembro de esquecer Me perco sem saber E ao saber me encontro sem saber falar O que tinha que dizer, digo a você Pois já cansei de me escutar Tantos contos, tantos, onde me perdi Já não mais te vi quando olhei pra mim Penso um pouco e um tanto Não posso dormir Pois quanto mais eu sinto, mais não sei sentir Navego e sigo mesmo sem entender Tento e me ensino o que tenho que aprender Eu não consigo e às vezes nem sei o porquê Mas ainda eu insisto e aos poucos consigo ver Nos moldes que moldam o meu coração Pensamentos que a todo instante vêm e vão Marco a hora enquanto espero na estação E quando chega a hora certa, embarco Me preparo E subo no último vagão Se vão as bagagens que eu deixei Se vão as roupas que um dia comprei Se vão os sapatos que tanto usei Se vão, deviam ir Só ficou o que realmente precisei O trem descarrilhou e caiu no mar Antes não sabia nadar mas hoje eu sei andar Ainda tropeço e caio Percebi o quão sou falho E na falha vou aprendendo a arte de acertar Tantos contos, tantos Só quero um fim Te ver ao olhar pra mim E entender que sou assim Penso um pouco e um tanto Só quero dormir Não sei como, nem quando Mas me ensina a sentir Me perco sem saber E ao saber me encontro sem saber falar O que tinha que dizer, digo a você Pois já cansei de me escutar