Entre Não repare na bagunça Minha empregada-escrava não veio hoje Filho doente Os pobres estão sempre doentes A miséria é uma doença necessária A pobreza a muitos interessa Senão, quem limparia as sujeiras Senão, quem limparia toas as sujeiras do mundo. Sente-se Não repare na sujeira Pelo menos nada embaixo do tapete Eu jogo limpo Eu limpo a minha própria sujeira Eu pago pouco a ela Mas o salário é de lei Eu vivo muito bem sem ela, sim senhor! Pra ela pior sem mim Pois, pobre é o que mais tem aqui Pobre é o que não falta aqui Fique à vontade Minha casa é esta Coma um pouco do meu pouco, e diga Alguma coisa que eu não esteja cansado de ouvir Alguma novidade que todos esperamos por aqui Não pode ser coisa que venha simplesmente repetir Que os pobres sempre fomos nós Que os pobres sempre somos nós Que os pobres sempre seremos nós Mas, entre Sente-se E fique à vontade!