Ah! se a força do mal rompe e rasga tua mente E teu peito se envolve de medo e de horror Se nas voltas da vida te perdes demente E retalhas teu corpo, sem tino, sem dor. Ah! Se arrancam teus olhos se partem teus dentes Perdoas sem nervos, sem mágoa ou rancor Se rasgam tua língua e o sangue não sentes Tua mão de poeta responde: Que és puro e que apenas te escondes, no amor. Ah! Se o mundo hoje explode faminto e doente Se os homens se vestem de ódio e furor Retomas tua pena e bem docemente Escreves um novo soneto de amor. Ah! No fundo da vala-comum, inocente Repousas contente nas mãos uma flor Aos olhos do homem que luta e não mente Não passas de apenas mais um Não passas de apenas mais um Não passas apenas de mais um, traidor!