Remisson Aniceto

Sonhar, Acordar e Viver

Remisson Aniceto


Quanto tempo ainda terei de vida?
Um ano? Um mês? Uma hora?
Será que terei uma morte sofrida?
Será que ela já está vindo agora?

Como será que a morte vem?
Num automóvel virando a esquina?
Nas rodas de aço de um trem?
Num frio cano de carabina?

Vem num copo de old eight?
Numa bela taça de vinho?
Num inocente copo de leite?
Depois de morrer, continuarei sozinho?

Qual será a aparência da morte?
Será bonita, ou asquerosa?
Ela vem do sul ou vem do norte?
Ela chegará muda, ou toda prosa?

Onde será que ela vai me encontrar?
Na cozinha, na sala, no quarto?
Na rua, no campo, no mar?
Ela virá lenta ou num fulminante infarto?

Será que a morte já viveu algum dia?
Será que ela morreu de morte matada?
Será que morreu de velhice ou de covardia?
Ou será que já nasceu morta e enterrada?

Será que morte é um castigo?
Alguém me avisa se eu morrer?
E se a morte acordar comigo?
Não me digam, não quero saber!
Vou dormir, sonhar, acordar e viver!

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