Haviam três corvos a espreitar De lá, pra cá, hey, ra ra rá! Negros como as noites de Shangrilá Um deles disse, a sussurrar: Mas o que temos para lanchar? Há de ser, isto apenas e nada mais Um homem caído a definhar De lá, pra cá, hey, ra ra rá! Negro como os devotos de Oxalá Ali, deitado, sem respirar Os corvos viam seu jantar Há de ser, isto apenas e nada mais Mas eis que chega ela a andar De lá, pra cá, hey, ra ra rá! Branca como se descesse de Asgard Tocou o homem, sem vacilar Que levantou-se bem de estar Há de ser, isto apenas e nada mais Um índio quis se aproximar De lá, pra cá, hey, ra ra rá! Era um descendente Xakriabá Juntou-se ao homem e a mulher E se olharam, todos de pé Há de ser, isto apenas e nada mais Um estrangeiro, a mirar De lá, pra cá, hey, ra ra rá! Do alto, seu escarro é nuclear Nos galhos deste pau-brasil Os corvos zombam do fuzil Há de ser, isto apenas e nada mais