Eu tenho um sítio na beira de um rio Vivo a vida com muito prazer Lá eu não tenho aborrecimento Luto com a vida pra sobreviver Na varanda uma rede armada Dou um cochilo depois do almoço E depois vou fisgar piapara Sentado na sombra na beira do poço Eu tenho leite de cinco vaquinhas Pra fazer queijo, doce e requeijão Um pedacinho de terra arada Pra plantar o arroz e o feijão Tenho um pomar de frutas variadas Muitas galinhas lá no galinheiro Um corguinho pra tocar o monjolo E um vira lata pra guardar o terreiro Tem muita gente que troca o sertão Pelo conforto que tem na cidade Deixa pra trás o seu reino encantado Sempre padece chora de saudade Sou um daqueles que apesar de tudo Ainda jogo a semente no chão O que eu vou fazer na cidade Se aqui na roça não me falta o pão Sou um caipira digo sim senhor Sou um caipira das mãos calejadas Eu quase não tive escola A minha fala não é refinada Mas tenho orgulho de ser caipira Falando errado me faço entender Graças a Deus nasci no sertão E lá no sertão eu quero morrer