Gato congelado Enquanto a impunidade toma conta da cidade Eu venho me espremendo entre a realidade e o irreal No bolso um real só em moedas Vários pra aplaudir minha queda Um descuido na sua vida e logo caem de paraquedas Não sabem o quanto eu ganho Já sabem o quanto eu devo Falam das pingas que bebo Sem ver os tombos que levo As coisas que relevo são as coisas me elevam A serenidade que me apego meus olhos não negam Me querem em uma bandeja de prata E farão o que puder pra lucrar até com a minha carcaça Se o dia for de caça me garanto sem trapaça Conheço a diferença de uma corda e uma gravata E tem quem nasce de gravata e ainda se enforca Vive cuidando da vida alheia e não se toca Não consegue mandar uma rima que choca Estoca amigo cujo interesse é nas nota Ninguém me nota Nisso nisso mudo minha rota com poesias em série Enquanto o mundo as arrota só porque não as digere Minha paciência se esgota Comigo o caldo engrossa Porque não me adapto ao cardápio De rótulos que a maioria ingere Só desacata o que difere, Não me insere nesse nicho, irmão, irmã, Por onde man feri man. Tento manter minha mente sã, coluna ereta, Frente a quem me lança a seta. Em dias onde pássaros voam e a gente não Dou asas a imaginação ao divagar a solidez desse saber, Que e só sentir, e só seguir… extensão daqui… Mesmo com o vendaval limpei o quintal e eis-me aqui. Mais um na massa, em outro pleno dia de caça, Caço a mim mesmo, Traço os passos dessa busca, Até quando a penumbra ofusca, e erro o alvo. Com a sola no piche eu sigo, Eu comigo, minha mente e o melhor abrigo. Vejo os que se vão, percebo, A passagem é breve. Meu caminho leva a verve. Quem te escreve - gestério. Me apresento, parte do mistério Prazer, só me de a comida e me deixe crescer. E sigo a saga da utopia do sonho que não é consumo, Na verdade acho o conforto pro corpo torto que aprumo. Tudo muda e ninguém nota, Faz sua cota na corrida que faz esquecer da rota. Me diz, qual seu rumo em babylon? Onde se cava a própria cova, Quando um sente o quanto pesa o senso se põe a prova. Assim que é… O chão brota abaixo do pé, amigo... Dei ouvidos ao silêncio e o vento fez todo o sentido. Sopra… Eu sou você, você sou eu Toda fragilidade que enxerga em mim Está contida em você Nessa cê se fudeu Mesmo canhoto, servimos aos mesmo Deus Tão e nobres e plebeus não mudam em nada Se o coração é duro e corta como a espada A luz do breu é quem ilumina a caminhada E todo chão de ilusão esvai…