Quand je serai grande je serai voleuse J?ai d'ja commencé c'est assez marrant J'dois avoir le don et la main heureuse Le doigté précis et l'oeil vigilant Je m'suis bien juré de voler de tout Voler pour voler pour l'amour du geste Faire sa difficile c'est manquer de goût On peut être doué et rester modeste Faut pas croire pourtant que j'manque d'ambition Je m'ferai les palaces, les soirées mondaines À ceux qu'on du fric, tirer du pognon C?est assez moral et ça paye sa peine Je volerai des billes, de la peccadille Des oui et des non pour le grand frisson J'volerai des trucs des engins caducs Des machins bizarres et des oeuvres d'art J'prendrai sans remords leurs bagues aux morts Et bien entendu leur corde aux pendus REFRAIN En volant le beurre et l'argent du beurre Je f'rai mon profit du bien mal acquis La p'tite voleuse n'a qu'une loi Ce qui est à toi est à moi J?aurai un costume, velours et satin Noir comme la nuit faut rester discrète Un loup sur le nez et des gants aux mains Moitié Fantômas, moitié Fantômette Comme une référence pour les tire-laines Les vide-goussets et des monte-en-l'air Je m'vois c'est bien traité comme une reine Secrète et rusée par la pègre entière Mais toujours toute seule comme sont les vrais faux Je partagerai pas j'garderai le butin Et je ne serai tant pis pour les pauvres Ni Robin des bois ni Arsène Lupin J'volerai du fer blanc, de l'or des diamants, Des bijoux des chaînes, le collier de la reine J'volerai sûrement l'orange du marchand Pour porter bonheur à un raton laveur J'volerai encore le jour de ma mort Tous les portefeuilles d'la famille en deuil REFRAIN Et si viens un jour où j'me fait poisser Devant l'tribunal je m'démontrai pas Je n'ai que le goût, messieurs les jurés Du travail bien fait et dl'artisanat Que nous dit le monde si nous l'écoutons La bourse où la vie et les mains en l'air Ainsi Fon Fon Fon les fonds de pension Les marchands du temple et leurs actionnaires Faut pas s'étonner qu'ca fasse des envieux On n?a pas besoin d'tout cet étalage À force de dire "moi aussi j'en veux" On va tous finir dans l'cambriolage On volera des billes et des baisers aux filles Des petits bonbons, des bombes à neutrons Passer à la caisse, on prend qu'les espèces Et à l'occasion quelques stock-options Qu?on soit voleur ou spéculateur On met nos arnaques dans le même sac REFRAIN Quando eu creser, vou ser ladra Eu já comecei, é bem engraçado Tenho que ter o dom e a mão feliz O dedilhado preciso e o olho vigilante Jurei a mim mesma de roubar de tudo Roubar por robar, pelo amor do gesto Fazer disso algo difícil éter mau gosto Pode-se ser dotado e continuar modesto Não é pra se crer, entretanto, que me falta ambição Eu construirei para mim palácios, as noitadas mundanas A aqueles que têm grana, tirar um punhado É bastante moral e vale a pena Eu roubarei as bolas do bilhar Alguns sim e alguns não para os grandes arrepios Eu roubarei coisas, negócios obsoletos Troços estranhos e obras de arte Pegarei sem remorso os anéis dos mortos E, bem entendido, a corda dos enforcados REFRÃO Roubando a manteiga e o dinheiro da manteiga Farei proveito do bem mal adquirido A pequena ladra só tem uma lei O que é seu é meu Farei um terno em veludo e cetim Negro como a noite, é preciso ficar discreto Um lobo sobre o nariz e luvas nas mãos Metade Fantômas, metade Fantomete Como uma referência para os batedores de carteira Os limpadores de bolso e gatunos Eu me vejo bem tratada como uma rainha Secreta e esperta pela malta toda Mas sempre sozinha como os verdadeiros selvagens Não dividirei, guardarei os despojos E não serei, e tanto faz, pelos pobres Nem Robin Hood, nem Arsène Lupin Roubarei do ferro branco, do ouro e dos diamantes Jóias das correntes, o colar da rainha Roubarei certamente a laranja do vendeiro Para levar alegria a um guaxinim Roubarei ainda no dia da minha morte Todas as carteiras da família em luto REFRÃO E se chegar o dia em que eu me veja encurralada Frente ao tribunal eu não me desmontarei Eu só tenho, senhores jurados, o gosto Do trabalho bem feito e do artesanato O que nos diz o mundo se nós o escutamos A bolsa ou a vida e as mãos ao alto Assim faz faz faz a previdência social Os mercadores do tempo e seus acionistas Não é preciso se espantar que isso atraia invejosos Nós não precisamos de toda essa feira De tanto dizer "Eu também quero" Vamos todos terminar no roubo Roubaremos bolinhas de gude, beijos às moças Balinhas e bombas de nêutrons Passando no caixa, pegamos em espécie E na ocasião algumas ações Que sejamos ladrões ou especuladores Botamos nossos vigaristas no mesmo saco REFRÃO