[Rincon Sapiência] Chegamo no piano, picadilha Beethoven Se o papo fazer a curva, meus manos nem ouvem Rap veio do gueto, então tirar de lá nem ousem O gueto é santuário da cultura, louvem Verdades são verdades, não encarem como insulto Já me senti um macumbeiro na igreja, no culto Já me senti como um intruso no meu habitat Pode pá, que os sonhos no túmulo geram tumultos Acúmulos de cédulas, as dívidas, os cálculos As pólvoras, as pétalas Bem-vindo ao espetáculo Cansaço dos músculos, cansaço na retina No escuro dos óculos, disfarce na rotina Grana, quero ela Sem pala, senzala Já foi, quero grana e o tempo pra gastá-la Dei dois, surfei, tô no pique do Medina Nessa onda me curei, música medicina Uau [Nocivo Shomon] E o que restou do paraíso Drogas e um drinque no inferno Que o clássico toca igual hit Que valha milhões meu caderno Caçando demônio de terno, caneta pesada Compondo me interno A moda te torna famoso, sua escrita te torna eterno Sem apoio paterno, mãinha foi guerreira Tudo que ela dizia virou hino pra vida inteira Mais alto do que falador, o grito da dona saudade Posso ter o mundo inteiro, sem você falta metade Quanta mãe solteira passando necessidade Virar o zóin é bom, difícil é ser pai de verdade Ser pai não é pra covarde, que faz sem assumir Mas se a mina abortar, sociedade vai destruir Meu filho é comedor, virou herói do meus truta Minha filha é vagabunda se tá na balada de saia curta Curar nosso machismo, mudar nossa conduta Quem pode determinar quem é santa e quem é puta? Já passou da hora de aceitar a diferença Num mundo imperfeito, preconceito é uma doença Que suja nossa alma, planta trauma, separatismo No campo me concentro pra derrubar o nazismo Salve o vandalismo, largamos letras criminal do Müller Rap serial Kelloggs, Nocivo serial killer Vocês têm Camaro, Rolex e mansão Mas nunca conquistarão o respeito do Facção Sopro de destruição Universo no verso implica Mente dos menor terra fértil, vocês plantando titica Todo mundo é foda, todo mundo é pica Mas quem liberta a coroa escrava de madame rica? [Fabio Brazza] O microfone é minha espada e minha guerra é santa Minha escrita é tão sagrada que é cantada em mantra Minha palavra é afiada, corta até garganta Minha caneta é tão pesada, nem o Thor levanta Na madrugada fria, caminhando pela city, nos breus A noite inspira poesia, eu faço um feat com Deus Penso numa rima, ele completa Às vezes tenho a impressão que ele tá aqui De calça larga e aba reta, poeta I see the signs Deus não escreve por linhas tortas, escreve com punchlines Metáforas em rhymes, até em braile ele rima E eu me pergunto A vida tá escrita ou é ele fazendo um freestyle lá em cima? O futuro me assombra, o futuro é que nem minha sombra Por mais que eu tente, ele tá sempre um passo a frente Na próxima esquina ele me tromba Já disse um amigo, não mexa com o futuro Pois quando ele acordar, quem vai dormir é seu presente Eu tenho em mente que a jornada da vida é feita sozinha E que no fim das contas a responsa é só minha E cada verso que eu rabisco é minha vida em risco Por isso que eu não desperdiço uma só linha Brazza, ADL, Rincon, Leal e Shomon, no mesmo som É tipo juntar Curry, Durant e Lebron O flow do BIG num verso do Gil Scott-Heron Ares e Poseidon, Poetas da Babylon Cavaleiros do Zodíaco vindo pra acabar com MC Pokémon [Lord] Meu manos me chamaram pra gravar um som Pra mim, fazer um som é como a droga crack Te leva ao prazer ou à destruição Por isso eu penso antes de escrever minha parte Favela tá lotada de notícia ruim O tráfico seduz, matou Jefin' , prendeu Junin' As armas fizeram chorar tia Cláudia E quem não conhece a causa Leva o conselho pra casa, parcerin' Bebidas fizeram sangrar mulheres que não eram como vocês querem Julgadas pelo o que vestem E ainda que não deixem que elas falem Por elas no lugar delas O lugar delas são elas que sabem O dele hoje é na laje, tá plantando atividade Dez de idade ele é adulto, a mãe dele tá no culto Pai dele em algum lugar do mundo Ele quer que se foda, aperta o fumo Um pivete, uma responsa e tu velho não toma um rumo Então meus manos me chamaram pra gravar um som Mas pra mim, gravar um som é como um tiroteio Quem não sabe o que falar, acerta um inocente Mas quem sabe, acerta o coco desses verme em cheio [Leal] Linhas abrigam o castigo, eu Reflito sobre o momento Agora fazer merda é fácil, né? Só arrumar argumento Eu quase vomito vendo falsidade Amargurado com os dentes a mostra Olha pro lado, não olha no olho Sorri, só que fala quando eu viro as costas A garrafa cheia, igual peito de lágrima Carteira vazia, normal, até porque a mente também tava Mas hoje não trava em qualquer lugar E sempre vai ser hino Pros Jim Carrey do rap ter um dia de Al Pacino Pelo ensino estadual igual dos boy, é isso memo Porque não estuda, e também lava prato E pro favelado poder sem dinheiro As damas primeiro, junto com as cria O segredo da vida é não viver com medo Cê não sabia? Conselho de amigo Mente vazia, oficina é o governo Dívida fora é um clássico E adora sumir com imposto E te faz sentir o máximo de vergonha no rosto Desequilíbrio social, normal, acompanho de perto Se for Marinho, seja Eduardo e não o bosta do Roberto Faz Criança Esperança e patrocina assassinato Onde ele pôs a mão, corrupção virou um fato Manipula a política, até compra mandato Vai O.R fala mesmo, e pau no cu se é desacato Seja o que você quiser não importa onde Só saber chegar, antes de falar Eu tive que ouvir, pode suplicar Tudo acontece quando tem que acontecer [DK] Eu sou DK-47 a 700 por minuto Eu DKpito os inimigo e faço eles de adubo Nossa tropa, vagabundo, trabalha com papo reto E quando o assunto é mancada, eu prefiro ser analfabeto Aqui o certo é o certo, o errado é o errado O homem pode ter dois carros, mas não pode ter dois papo Mano a mano é esporte, na favela é liberado Agora dá última forma já é outro desenrolado Esses guardinha são infeliz, nunca sabem o que diz Nunca vi bom jogador trocar camisa com juiz É porque os brabo tem nome e apesar de não ter pai Nosso bonde é pesado e vai trocar até o fim Caí na selva pivete, eu e Deus e um canivete Matei os bicho, fiz churrasco, andei de casacos de pele Não trava nem super-aquece, minha caneta fede a morte Por isso tão me chamando de DK-47 [Allex Flores] Chamei poetas Que sobrevivem a dias de insônia Incendiando essa babilônia E vão se eternizar Cumpri as metas Que disseram que eu não ia dar conta Vou mostrar que nome carrega honra Você é sua palavra, sua palavra Sua palavra, sua palavra (Sua palavra)