O sonho é marca que encandece em brasa Retoçando o peito machucando o couro O sonho é alma que fugiu de casa Só pelo gosto de se renegar Já não tem olhos pra mirar solito o fundo das grotas Seguindo os passos de algum par de botas Criando história por esse lugar Já não esconde que seu horizonte É maior que a estância E os olhos teimam em campear distâncias Que existe o mundo pra se rebocar O sonho é vida que trocou de ponta Que fechou de frente que mostrou a cara É um braço grande de abraçar o mundo Um laço forte pra pealar a dor O sonho é um potro galopando livre pelo tempo afora por mais que o mundo lhe apresente esporas não foi parido pra cabresteador o sonho é um potro que não foi parido pra cabresteador Tanta rodada por esses lançantes quem não se garante acaba estropeado mas se o tal sonho for dos bem gaúchos já se levanta e recomeça a andar Este meu sonho é uma longa bruta De onde tiro os tentos Trançando os dias onde me sustento Pelos arreios que a vida me dá Este meu sonho é feito um amigo estendendo a mão tem quinxa buena do melhor galpão é flor e truco sem calaveriar O sonho é vida que trocou de ponta Que fechou de frente que mostrou a cara É um braços grande de abraçar o mundo Um laço forte pra pealar a dor O sonho é um potro galopando livre pelo tempo afora por mais que o mundo lhe apresente esporas não foi parido pra cabresteador o sonho é um potro que não foi parido pra cabresteador