Deste silêncio de pedra O violão quer as rédeas Mas desconhece os teus rumos O tempo se descompassa E o verso se despedaça Na imensidão de um segundo Eu tento abrir as janelas Que se fecharam na espera Quando a distância se fez E a solidão do seu jeito Faz um buraco no peito Pra eu me enterrar outra vez Desse deserto sem fim O diz amor, diz que sim E eu quero ouvir o teu nome Eu sei que além dos portais As sombras de um nunca mais Se fartam da mesma fome Pois eu careço do lume Que a vida só por ciúme Diz que ficou no passado Embora meus olhos cegos Tu és a luz que eu mais quero Nas madrugadas do pago Vem cá milonga! Vem cá milonga, me cerca Se achega, se achega e tira pra dança Me diz pra olhar, me diz pra olhar nos teus olhos Me leva feito criança Eu me pergunto, eu me pergunto até quando? Eu te pergunto, eu te pergunto até onde vai esta estrada? Vai esta estrada bendita, que leva onde te escondes