Sob o rio-mar, no fundo do macaréu Tem um mundo de outro chão e outro céu Vive um povo louro ali sob o igarapé São de ouro as ocas de sapé Tem a pele alva como um véu Comem um maná melhor que mel E só vêm à tona da maré Ao ouvir o canto do pajé Nas águas do rio à noite tem lumaréu Vem do fundo claridão, fogaréu E tem moço louro e moça no aguapé É namoro, diz o caburé Tem um som de reza, ao longe, ao léu Que faz se benzer até o incréu É maraca, é marimba, é É o som da chamada do toré. Eh! rio-mar, Eh! rio-mar Povo de Caruana é que mora lá De Aruaque, de Jê, de Juparaná De Aruã, de Araúna, de Aruaná É o guardião do rio-mar Caruana anda naquele mundaréu Da nascente até a foz, déu em déu Monta o tambaqui, galopa o tucunaré O curimatã e o jacarécoité Diz, quem é dali, o povo ilhéu Que de noite se ouve o seu tropel Vem ao som do canto do pajé Vem beber cauim no seu coité