Sobre os telhados de Lisboa Uma canção fala de amor E eu, pequeno e sonhador Cismo que tenho dentro d'alma Toda beleza dessa calma Que a tempestade me levou Aqui, o chão, mais além, a imensidão Aqui, o cais, depois a glória ou nunca mais A vela aberta, a sina incerta, o infindo mar Enfim o aceno e o derradeiro navegar Meu coração hoje é como um fado E nem todo o azul do mar salgado Me traz a luz dos olhos teus Mistério de quem sente o que não sabe Que todo o oceano cabe Numa lágrima de adeus A nave-mestra deixa o cais Com esse olhar de nunca mais Que Portugal gravou em mim Devo partir, içar as velas Rumar ao porto de outras terras Singrar o azul do mar sem fim Navega o amor, o navegante sonhador Não teme a dor, o Bojador há de cruzar Porém, na flor, a rubra cor se apagará E, o que já foi, tempos depois, jamais será