Logo que amanhecer e antes do entardecer Brilho o sol ou caia a chuva hoje eu tenho que correr Nas veredas de tropeço de um lugar que desconheço Talvez seja no perdão, ou dentro de um coração Na tristeza de um não ou debaixo desse chão Misturado com a dor de parte da humanidade Onde morre uma flor, onde nasce uma saudade Onde arde uma paixão com requintes de maldade Num quarto escuro me encontrar, de mãos atadas perceber Um látego meu dorso então surrar Os meus olhos revirar, o meu fôlego perder Minha pele afivelar, e na dor ensandecer Logo que eu me dê por mim e antes de eu me perder Sem meus trajes no trajeto, ansiosa a percorrer Desatinos, desafetos tão oclusos em meu ser Eu afronto a natureza, contamino a pureza Eu confio na suspeita, eu duvido da certeza E no ardor de um sentimento multiplico o meu tormento Onde a dor assume formas sem sentido, diferentes Dores fortes, prazerosas, dores de contentamento E assim a dor resistirá... crescente não sucumbirá O grão do alívio não germinará E da tremulante chama de uma colorida vela Sinto a ardência gotejante suavemente em minhas pernas