Às margens do Tietê, Coração zona norte, Menino serelepe, Pés descalços pinta o sete, Arrisca sua sorte. Bola de meia, brincadeira Arco íris no céu. Voa alto, cruza pontes, Comandante de um barquinho de papel. Sem pressa sorri sozinho, E Rouba o pôr-do-sol. Tece sonho no sossego Pensando por um momento Ser jogador de futebol. Mas a liberdade sem preço, Voou voraz com o vento, Dormiu poema menino, E o recomeço Preso ao leme do tempo. O beijo escondido Fez o desejo nu brotar, Com suspiros alados, Conjugou o verbo amar. E o destino fadado De amante e amigo, Nasceram três tesouros, Que inspiraram esta canção. Da Bahia traz herança, Encravada no sertão. Sempre dando o seu recado Xique-Xique, Pilão Arcado, Vila Maria no coração. Na boemia o amigo amado, O companheiro o violão. Homem que ainda sonha Fez do samba, sua oração.