Quando a noite nos cerca A ferida que pesa É aquela que a gente nem sabe se vem E Lorena, não sei Nem ela sabe Quis deduzir mas sentiu a saudade De ter imprevisibilidade no ar De não saber onde nada vai dar Mas de nada por quê? Não tem por onde nem começar? Pensou Lorena em seu mundo de lá Ouço o som da cuíca Que geme, que grita E chama Lorena para brincar Mas ela não quer se arriscar Pois já sujou seus sapatos demais Ela passou por toda dinâmica De espera demais pela continuação Mas até hoje não soube lidar Com a incerteza do que lhe pode chegar e mudar Hoje os velhos que pescam Na sorte e revezam Comem as fezes dos peixes que pegam E quando a cerâmica deu-se a quebrar Lorena viu que não pôde mudar Mas ela soube, assim por diante Quão mais distante se faz o esperar Ela viu beira-mar, quem se viu, quem se vá Quem sabe Lorena não pôde mais calcular Ouço o som da esperança Alegre, mas manca Tão suicida que pode falhar Ela pode e deve e Lorena percebe Que não há neve onde há de secar E vai secando a cada estação com cara de ação E Lorena se vê Fugindo para onde quer que ela consiga olhar e então prever Luzes, que piscam de noite É hora do açoite Hora do tombo, é hora do chá Hora cabal Onde o futuro enfim vai chegar e se revelar para Lorena E nada foi como ela pensou Ela então suspirou De todas as vidas que ela provou Talvez essa, não vista, foi a que mais se encaixou Então hoje, depois de ontem Depois de tudo Depois de um breve eterno amanhã Que sempre vai Lorena Vê que a vida não cabe em uma previsão Ela chora então, cai sobre a mesa Mas não de tristeza, esta já estava lá Lorena viu, que na verdade essa vida é fase E não vale tentar tudo adivinhar E ela então prosseguiu sem ter mais que pensar E segue então Lorena a suspirar Lorena a suspirar