Toda vez que eu viajava pela Estrada de Ouro Fino De longe eu avistava a figura de um menino Que corria abrir a porteira e depois vinha me pedindo Toque o berrante seu moço que é pra eu ficar ouvindo Quando a boiada passava e a poeira ia baixando eu jogava uma moeda e ele saía pulando Obrigado boiadeiro, que Deus vá lhe acompanhando pra aquele sertão à fora meu berrante ia tocando Nos caminhos desta vida muitos espinhos eu encontrei mas nenhum calou mais fundo do que isso que eu passei Na minha viagem de volta qualquer coisa eu cismei Vendo a porteira fechada o menino não avistei Apeei do meu cavalo e no ranchinho a beira chão Ví uma mulher chorando, quis saber qual a razão - Boiadeiro veio tarde, veja a cruz no estradão Quem matou o meu menino foi um boi sem coração Lá pras bandas de Ouro Fino levando gado selvagem quando passo na porteira até vejo a sua imagem O seu rangido tão triste mais parece uma mensagem Daquele rosto trigueiro desejando-me boa viagem A cruzinha no estradão do pensamento não sai Eu já fiz um juramento que não esqueço jamais Nem que o meu gado estoure, e eu precise ir atrás Neste pedaço de chão berrante eu não toco mais Doente de amor procurei remédio na vida noturna Como uma flor da noite em uma bote aqui na zona sul A dor do amor é com outro amor que a gente cura Vim curar a dor deste mal de amor na boate azul E quando a noite vai se agonizando no clarão da aurora Os integrantes da vida noturna se foram dormir E a dama da noite estava comigo também foi embora Fecharam-se as portas sozinho de novo tive que sair Sair de que jeito, se nem sei o rumo para onde vou Muito vagamente me lembro que estou Em uma boate aqui na zona sul Eu bebi demais e não consigo me lembrar se quer Qual é o nome daquela mulher A flor da noite da boate azul