Eu não caio do cavalo, nem do burro e nem do galho Ganho dinheiro cantando, a viola é meu trabalho No lugar onde tem seca eu de sede lá não caio Levanto de madrugada e bebo o pingo de orvalho Chora viola! Quem tem mulher que namora, quem tem burro empacador Quem tem a roça no mato me chame que jeito eu dou Eu tiro a roça do mato sua lavoura melhora E o burro empacador eu corto ele de espora E a mulher namoradeira eu passo o couro e mando embora Gavião da minha foice não pega pinto Também a mão de pilão não joga peteca O cabo da minha enxada não tem divisa As meninas dos meus olhos não têm boneca Quem é bom já nasce feito, quem é ruim só atrapalha Eu bato logo no burro e não bato na cangalha Entrei numa guerra dura, fiz virar fogo de palha Fiz virar cartão de prata punhal, espada e navalha Bala bateu no meu peito, derreteu virou medalha As flores quando é de manhã cedo O seu perfume no ar exala A madeira quando está bem seca Deixando no sol bem quente estala Dois baianos brigando de facão Sai fogo quando o aço resbala Os namoros de antigamente Espiavam por um buraco na sala