Sequência de Sonetos 2 Soneto Controverso Quero um soneto meio controverso E me arremeto nele às escuras Vou recorrendo às Santas Escrituras Para botar tempero no meu Verso. Meu consciente está meio disperso Sem nada pra dizer nessas alturas Tenho que achar de vez as tessituras Porque na oitava linha estou imerso. No nono verso vem a frustração, Nem dei início à contradição E uma palavra já me alerta - ufa ! Procuro assunto pra mais um terceto Em minha mente vejo tudo preto Findo o soneto sem dizer bulhufa! Tempos Modernos Que quatro vezes quatro é dezesseis Aprendi numa antiga Tabuada. Nela eu vi que os noves fora nada Faz a prova de dez mais vinte e seis. Pra saber a leitura em português Foi a velha Cartilha adequada. Era por toda parte adotada, Desde os tempos que ainda havia reis. Nesta era em que avançam a ciência E a tecnologia é de ponta Uma contradição ficou global. Se este tempo é da eficiência Muita gente só sabe fazer conta Numa calculadora digital !!! É Preciso Olhar a Alma Se de perto ninguém fica normal Como disse o compositor baiano Como devo encarar o ser humano Se de longe também enxergo mal? Pra se ver o vivente ao natural Sem disfarce do seu cotidiano Eu pergunto ao polêmico Caetano A distância é o ponto crucial? Depois de observar estranho e amigo Em todo aquele que privou comigo Cheguei à conclusão com muita calma: Para ver, da pessoa, a exata imagem, Que se esconde por trás da maquiagem Talvez seja preciso olhar a alma! Ibotirama Mudando a rota rumo ao oceano Opara encurva e pare Ibotirama. Fez nessa curva um lindo panorama, Na "Rica Flor" plantou calor humano. Ele se verga e desce soberano Aconchegando a Terra franciscana "Capital Céu", amor de Zé Bacana, A jóia rara do sertão baiano. Ao se curvar no solo da Bahia Esse ambiente encharca de alegria No vaivém cintilante da mareta. O "Vapor Encantado" que se via Virou lenda inda dizem que vigia Ibotirama lá da Pedra Preta.