Esta milonga crioula De campechano compasso Com a força de um manotaço E a fúria de uma trovoada Trata da vil empreitada De uns tipos de outros lados Que vieram alvoroçados Com o propósito insano De retirar do pampiano O direito de andar armado O xucro povo sulino Se criou nos entreveros Peleando com caborteiros De perfis abagualados E os berros engatilhados Sempre mostraram sua fala Entre a trincheira e a vala Nos cerros e descampados O rio grande foi desenhado Com um nagão cuspindo bala Por isso as armas de fogo Estão no cerne da pampa Sempre compondo a estampa Tanto ontem como agora Igual a estrela da espora Para amansar aporreados O 38 é sagrado Pra salvar o próprio couro Do guapo gaúcho touro Bravo, xucro e despachado Mas nos longínquos palácios Do poderio centralista Sob a influencia oportunista De vários interessados Burocratas, deputados E uma tropa de doutores Fizeram-se executores Do mais maleva instrumento A lei do desarmamento O trunfo dos ditadores O estatuto maquinado No intuito de desarmar Começou a prosperar Com uma campanha embusteira E a nossa gente altaneira Das armas foi apartada Na traiçoeira emboscada Da engenharia social E a nova trampa global Pelas leis sendo implantada Os argumentos furados E estatísticas forjadas Valem menos do que nada Pra os rumos da humanidade Não há superior verdade Do que a importância da vida E ela só é defendida Com eficácia elevada Por uma mão bem armada E uma mente esclarecida Só alguém muito confuso Acha bom não ter a chance De, com uma arma ao alcance Evitar sua injusta morte Não se conta só com a sorte Frente a perversos bandidos Que não ficam comovidos Ao trucidar inocentes E só um povo decadente Afaga seus inimigos O homem sério não quer ver Sua morada invadida E suas filhas queridas Mortas após violentadas A esposa sendo abusada E assassinada em sua frente Mas é certo e evidente Que sem arma e munição Resta a ele a condição De escravo dos delinquentes Não adiantam propagandas Com ricas celebridades Nem teses de faculdade Fundamentando o cinismo As farsas do pacifismo Não vão mudar nossa essência O povo desta querência Das armas, sabe a importância Pois nas piores circunstâncias Garantiram sobrevivência Não nos dobram com falácias Vitimismo, enganação Panfletos de empulhação Muito menos choradeira A pampa é pátria guerreira Mãe de legiões peleadoras E esta campanha impostora Zomba da história gaúcha Feita a tiro de garrucha Nas auroras precursoras Mas os tauras macanudos Deste rio grande machaço Discordam dos canetaços Da vermelha tirania Pois com chumbo e valentia Sempre aguentamos repuxo E neste pago sem luxo De imponente identidade As armas e a liberdade Falquejaram o gaúcho