Vai pelo tempo nestas terras do Rio Grande Um povo índio que se ergueu da própria fé E um guerreiro que entre a paz se fez na guerra E pela terra teve o nome de Sepé Nas reduções, nas palavras dos jesuítas Tinha o progresso desta terra missioneira Mas sob as pedras e o olhar dos sete povos Cruzaram as tropas de espanhóis e suas bandeiras Então Sepé Tiarajú clamou ao céu Contra os tratados assinados além-mar E o povo índio guarani de São Miguel Empunhou lanças de bravura pra lutar E eram lanças e cavalos contra as armas E eram valentes contra a força dos canhões Mas pouco a pouco foram erguendo-se as cruzes E foi tombando o povo e o sonho das missões E um dia um índio no comando de sua tropa Contra o que os céus lhe avisavam por perigo Tombou na terra em que lutou porque era sua Na dor da lança e da garrucha do inimigo Talvez a força do lunar que tinha a fronte Guiasse o rumo verdadeiro de sua terra Talvez por isso que no lombo de um tordilho Buscasse a paz e mesmo assim achou a guerra Sobre esta terra uma história foi escrita Que não findou nos campos de Caiboaté Vive em quem sabe que esta terra ainda tem dono Alma gaúcha e missioneira de um Sepé Vai na coragem de cair, se erguer de novo Sangrar na luta, mas querer seguir em frente Mostrar pro tempo e pra história deste pago Como se vive e se morre um homem valente