I Eram três "Joãos" diferentes. Três destinos amarrados, embora, sendo afastados pelas convenções sociais. Laços de honra e morais prendiam as suas vivências; eram herdeiros da querência, e, não a deixariam jamais. II "João Ninguém" era andejo, que vagava pelo brete, conhecia bem os macetes de enganar a sua miséria; vivia a fazer pilhérias da sua sina aragana. Ria da existência insana, e de não ter ambição séria. III "João Alguém" o média-classe se ajustou como empregado, era sempre comandado e tinha pouca opinião; sua meta era um galpão, e um churrasco no braseiro, Trabalhava o dia inteiro pra enriquecer o patrão. IV O ricaço, "João Tabém", este sim, era entojado; andava sempre bem pilchado e a guaiaca com dinheiro. Metia-se em entreveiros, só pra gastar "a la farta", ou para arriscar nas cartas o lucro do ano inteiro. V Na grande e falada estância, não entrava "João Ninguém". Tinha ordem pro "Alguém", expulsá-lo da porteira. Que fosse pra carreteira viver de chuva e de vento; que tirasse seu sustento da caridade breteira. VI Quando o sul faz cara feia e a necessidade aperta, é sempre porteira aberta por onde passa a fome, se vai a moral de um homem quando o couro sente frio, e a barriga entra em cio quando a boca nunca come. VII "João Ninguém" fez uma bobagem quando o pavor desceu pra faca, laçou e carneou uma vaca do plantel do "João Tabém". Nunca pensou que o "Alguém" rondasse a volta do mato, e usasse um "Quarenta e quatro" para abatê-lo também. VIII A tragédia estava armada, pois, morreu o "João Ninguém". A prisão do "João Alguém", foi apenas consequência. Sumiram dois joãos da querência por falta de sensatez, o que cada homem fez foi buscar sobrevivência. IX Se o avarento ajustasse o "Ninguém" de peão campeiro, talvez, dobrasse o dinheiro que trazia na guaiaca, desgraça que rico ataca entre os pobres não se cria, e o "Ninguém" nunca seria andejo e ladrão de vaca. X A ganância, cria o monstro e faz o mal perpetuar, o estancieiro, só fez negar uma chance ao teatino, selando assim, o destino de dois terços da querência sem exame de consciência ou do ensinamento divino. XI Que chance teve o Ninguém, de escolher o seu caminho? Pois, deixaram-lhe sozinho sem direito, e sem a lida. Negaram-lhe casa, comida, o respeito e a hospitalidade, que um cidadão de verdade reponta por essa vida. XII João Alguém foi recolhido por vender o seu trabalho, era apenas um espantalho a serviço do estancieiro. O Tabém foi o primeiro a negar-lhe uma ajuda, se a sorte do jogo muda se afasta até o coimeiro. XIII Comparando duas eras: da miséria e da escravidão; onde o pobre é sem galpão, não tem bóia ou dignidade, que os escravos na verdade tinham feijão e senzala. O "Ninguém" ganhou só bala, por paga da sociedade. IXV Desde o princípio do mundo que as coisas dão-se assim, não se acha nunca o fim do caminho da ganância e em qualquer circunstância quem domina é o joão nobre, e obedece o peão pobre porque precisa da estância