Irmandade fogoneira Da tradição de topete No fogão do canal sete Nossa catedral campeira Cantando à minha maneira Faço a minha saudação Com a cuia de chimarrão Que o Glênio me ofereceu Porque o Rio Grande nasceu Junto de um fogo de chão Quando a gente está distante Assim, como estamos nós Nós nos sentimos a sós Como algo muito importante Nos acossa, num instante Uma depressão, que bate Depois vem no arremate O coração vem à tona Num ponteio de bordona Numa cordeona que bate E a guitarra é muito mais Do que um simples instrumento Ela é um pedaço de vento Na copa dos taquarais São tonadas ancestrais Dos tinidos das chilenas São risadas de morenas Nas carpas da Andaluzia Quando a Ibéria antenascia Com as falanges sarracenas E os dedos do guitarreiro Vão passeando nos fios Lembrando os índios bravios Do velho pago campeiro Do índio guasca primeiro Criado sem protocolo Piá criado sem colo Foi assim desde o início Cantando meio por vício As coisas que vêm do solo A inclinação é tamanha No nosso ser primitivo Que o sacerdote nativo Das catedrais da campanha Tem uma magia estranha Quando floreia a garganta E a cada verso que canta Com bárbara inspiração Sempre que bate no chão Se transforma numa planta E ela abriga os caminhantes De todas as longitudes De todas as latitudes E de todos os quadrantes Ela dá abrigo aos andantes Ela abriga aos passarinhos Extraviados dos caminhos Na busca de outros atalhos Porque sabem que em seus galhos Sempre há lugar pra outros ninhos Aproveitando a visita Eu trago meu abraço A este fogao gauchaço Onde a leyenda palpita No meu estilo jesuita De payador da coxilha Dizendo à minha familia Para o rio grande e o meu povo Que lancei um disco novo Outro da minha tropilha É o mais novo, é o mais dengoso Tem as baldas de criança Mas dentro em pouco se amansa Vai deixar de ser sestroso Emparelhei bem o toso Como fiz com cada filho Ele vai seguir o trilho Do payador curandeiro Que além de ser missioneiro É como o pai, andarilho Doce de rédea, e de canto Há de andar tenho certeza Sempre de pupila acesa Num trabalho, num arranque E honrar meu cabelo branco Que nao rejeita um convite Vai dar bom, tenho palpite Em todas as ocasiões Porque nasceu nas Missões E tem a marca da Acit