Quem já leu o livro santo Conheceu o que é preciso Entendeu o paraíso Que era um lugaraço e tanto Na realidade o encanto Dos tempos de antigamente Ali não havia doente Todo mundo era sadio Céu e campo - mato e rio E primavera somente! Que beleza de lugar Diz a sagrada escritura A lua de graça - água pura Sem beniagá a incomodar Sem imposto pra pagar Sem as filas - sem bandido Sem congresso - sem partido Ontem - hoje e amanhã No meio disso - a maçã Que era o fruto proibido! É o bicho mais burro o "home" Pois tudo corria bem Ninguém roubava ninguém Ninguém trocava de nome Ninguém morria de fome Nem havia o diz que disse Foi preciso que existisse Um asno nessa canaã -Adão comeu a maçã Embora Deus proibisse! E a gente logo imagina Pois tudo foi de improviso A sombra do paraíso Coberto pela neblina A Eva - um florão de china O pai Adão - cabeçudo Índio grosso - sem estudo Desajeitado - sem roupa Viu a maçã "dando" sopa E comeu - com casca e tudo! E formou-se a confusão Depois desse desacato A Eva se foi ao mato E logo atrás o Adão Resultado - a punição Que tanto transtorno encerra Veio a doença - veio a guerra Veio a miséria - a ganância E nasceu a discordância Nos quatro cantos da terra! E o Senhor disse ao Adão Já roído pelo desgosto Tu vais - com o suor do teu rosto Comer - de hoje em diante - o pão Sentir frio - dormir no chão A vida será uma luta Daí toda a lida bruta Decretada a cada um -Vivemos nesse zum-zum Só por causa de uma fruta! E foi criado o inferno O verão - a primavera O medo - a mentira - a fera A geada, o frio do inverno Além disso o padre eterno Deixou que o homem sofresse Que amasse - que envelhecesse E vivemos do serviço E - depois de tudo isso Só ia ao céu quem merecesse E seguiu a mesma farra Numa verdadeira afronta E ninguém pagava a conta Cantando que nem cigarra Com cordeona - com guitarra A cousa seguiu fervendo Deus terminou compreendendo Ante a falta de respeito Que a seguir daquele jeito O inferno acabava enchendo! E mandou Nosso Senhor O Menino de Belém O que em cada Natal vem Trazer carinho e amor Mas o homem - pecador Ao qual o dólar seduz Não quis compreender a luz Da fé e da fraternidade Jesus falava em verdade E o pregaram numa cruz! Conta a Sagrada Escritura E a gente acredita nela Que o Autor da mensagem bela De carinho e de ternura O que trazia alma pura Em todas as dimensões O Autor de mil sermões De montanha e descampado Acabou crucificado No meio de dois ladrões! E o homem que fez então Depois da morte sublime Ao invés de expiar o crime Num pedido de perdão Ou tentar a salvação Do inferno e da fogueira Chorando à sua maneira O Paraíso Perdido Muito embora arrependido Seguiu rondando a macieira