Constâncio chegou ao rancho E a casa estava vazia Não de móveis, não de coisas Mas algo de mais valia Chamou por ela três vezes Foi ao pátio, foi à sala No quarto, achou a resposta Da pergunta que não cala (Não cala e não dorme nunca) Dizem que sempre o abandono No travesseiro das dores Espanta pra longe o sono Constâncio, anos depois Ainda lambe as feridas (E diz quem bem o conhece – Perdeu a fome da vida) Constâncio não sente fome Mas a dor sempre põe mesa Nele, há um pêndulo que oscila Entre a raiva e a tristeza Magro de alma e de corpo (Barco sem água e sem cais) Na fronte, encravado e tenso Um riso de nunca mais