Minha cantoria torta Lapidada pelo tempo Correu mundo com o vento Já bateu de porta em porta Apeou, deu meia volta Caminhou caminho inteiro No clarão do candeeiro No cascalho da estrada No vazio da madrugada Meu canto chegou primeiro Pensando, quase não falo Saudade quando me deito Martelando no peito Com a firmeza de um badalo Na sola dos pés o calo No bolso pouco dinheiro Chegando nesse terreiro Uma voz rouca e rasgada No vazio da madrugada Meu canto chegou primeiro Num lampejo de lembrança Certamente das primeiras Duas violas cantadeiras E uma cantoria mansa Eu ainda bem criança Numa noite de janeiro Me tomei por violeiro Iniciei minha jornada No vazio da madrugada Meu canto chegou primeiro