Eugénia Melo e Castro

Terra de Mel

Eugénia Melo e Castro


No meio daquele reflexo de água 
No centro de um repuxo de vento 
Parada numa corrente de mar 
Estou dentro do que quero estar 
Há sempre uma gota de vento maré 
Provoca a seca em que perco o pé 

Entre um corpo que circula 
Entre um ângulo que tem fim 
A parede e o espaço 
Entre um grito e um cansaço 
está um som que reconheço 
Está tão lento 
Já não esqueço 
Está tão velho 
Recomeço 

No meio deste reflexo de tempo 
Entre um corpo que trabalha 
Parada numa corrente de ar 
Entre a parede e o cansaço 
Estou no fim de um repuxo lento 
Estou entre um passo que tem espaço 

Dentro do que quero estar 
Entre um grito e um começo de mar 
está um som que reconheço 
Há sempre uma gota de vento maré 
Provoca a cheia em que ganho o pé