Eu abalado, fui no mercado da vida ver o que ele me oferecia Encontrei a liberdade mas era meramente ilustrativa Então chegou o vendedor com uma glock na mão Oferecendo ódio e dor, disse que estava na promoção Me aconselhando e falando que era o melhor pra mim Que a data de validade não chegaria fácil assim Disse que era aprovado por grande parte do povo Só que não tinha concerto, só fabricando de novo No meu carrinho, só tinha lágrimas e decepção Que se levasse não aceitariam a devolução Pagamento á vista ou 80 anos no cartão Podia até fazer boleto, também tinha essa opção Vendem o corpo, o coração, a alma Mas pra apagar a minha luz tem que fazer muito mais que bater palma Pessoas frustradas e rodeadas de maldade Que o seu motivo pra sorrir já passou de validade Pesado de tanta mágoa entrou no mercado de bolsa vazia Por conta da necessidade estão furtando alegria Crianças que batalham e deixam seus pais orgulhosos São produtos em falta ou quando tem são os mais valiosos Ando vagamente no mercado escolhendo cada produto Que faça com que meu sorriso não se torne mais oculto Tanta tristeza, mágoa, ódio levo no peito como carga A balconista diz que o sorriso é insuficiente pra efetuar uma recarga A maldade em sua mente vem potente como um soco Hoje se compro a realidade levo balas como troco Analisando e pensando nos produtos eu já sabia Que comparado com o que o mercado oferecia era melhor a dispensa vazia Fechei os olhos, tive um momento de reflexão Ergui a cabeça, respirei e tomei a minha decisão Não comprei a dor, nem o ódio, nem a glock Comprei a felicidade, última peça no estoque