Por livre tornei-me gaucho, voz de sinas mal domadas Riscando a vida em patriadas, no altar da gaucheria No meu sangue a rebeldia no meu olhar as lonjuras Sorvendo a cor das planuras, mandando o mundo a la cria E pintaram meus retratos com lanças e chiripás Com gritos de iahaha, sob a copa dos sombreiros Mas nenhum brete ou potreiro resteva o cerca de pedra Pode domar esta regra de andar tal qual o pampeiro Trez patrias trouxe comigo nagarupa dos cavalos Mesclando sangue no embalo de mangrulhos e garruchas Eis o fado que me puxa, moldado em tempos de guerra Eis a herança desta terra forjando a alma gaúcha Ao longe um rumor de tropas, mesclando rumbos y vientos Traz de tiro, sentimentos, de paisanos e peones Recuerdos de mil fogones em madrugadas grongueiras Viejas milongas campeiras en rueda de los fogones São brados de lavalleja de rosas, flores da cunha Na sinfonia terrunha que hernandez compôs na pampa Um rapisodo levanta, que es fierro y es viejo pancho E neles a voz dos ranchos nesta guitarra que os canta Não fui rei nem fui escravo e mandado nunca serei Na noite mais negra eu sei, achar minha própria luz E se jamais fui Jesus, também nuca fui um viscacha Pois resumiu minha raça o brio de um sargento cruz Desse ancestral que eu fui, batizado na imensidade Me restou a liberdade, deusa que eu amo e me acalma Fulgor maior do que a dalva, me dando lume e consolo Para os quixotes crioulos, que ainda abitam minh'alma